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El Niño ganha força e pode atingir intensidade muito forte até o fim de 2026

Aquecimento do Pacífico aumenta o alerta para ondas de calor, secas e chuvas intensas nos próximos meses.

03/09/2026 às 09h58
Por: Redação Fonte: G1 // https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/09/03/el-nino-vai-ficar-muito-forte-e-deve-persistir-ate-fevereiro-de-2027-diz-onu.ghtml
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El Niño ganha força e pode atingir intensidade muito forte até o fim de 2026

O El Niño deve continuar se fortalecendo nos próximos meses e pode alcançar uma intensidade excepcional ainda em 2026. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) estima que o fenômeno atinja seu ponto máximo entre novembro e dezembro, mantendo alta probabilidade de permanência até o início de 2027. A previsão coloca autoridades e pesquisadores em alerta para possíveis alterações nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.

A atualização mais recente da OMM indica que a temperatura da superfície do mar na região conhecida como Niño 3.4 pode chegar a uma anomalia média de aproximadamente 3,6°C acima do normal entre setembro e novembro. Para novembro, isoladamente, os modelos chegam a projetar 3,9°C. Esses valores não significam que todo o Oceano Pacífico ficará nessa temperatura, mas representam o quanto a superfície do mar em uma área específica poderá superar sua média histórica.

O cenário também é acompanhado por outros centros meteorológicos. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), há mais de 90% de probabilidade de que o El Niño seja classificado como muito forte no trimestre de setembro a novembro. A agência norte-americana NOAA, por sua vez, aponta que o fenômeno deve continuar se intensificando até o fim do ano e calcula uma probabilidade de 69% de que o episódio entre outubro e dezembro alcance uma intensidade histórica, considerando eventos registrados desde 1950.

O oceano já mostra sinais de intensificação

O principal indicador do fenômeno está no Pacífico Equatorial. Na região Niño 3.4, as temperaturas da superfície do mar passaram de uma anomalia de cerca de 0,9°C em maio para aproximadamente 2°C em julho. Entre o fim de julho e meados de agosto, as medições semanais chegaram a valores entre 2,2°C e 2,6°C acima da média.

O aquecimento também ocorre abaixo da superfície. De acordo com a OMM, algumas áreas do Pacífico apresentaram, entre julho e o início de agosto, águas subterrâneas mais de 8°C acima da média. Esse grande volume de água quente funciona como uma reserva de energia que pode contribuir para a continuidade do fenômeno.

A NOAA também identificou sinais atmosféricos compatíveis com o fortalecimento do El Niño, como a redução dos ventos alísios e alterações na formação de nuvens e na circulação atmosférica sobre o Pacífico.

Por que o fenômeno preocupa?

O El Niño faz parte do ENOS (El Niño-Oscilação Sul), um ciclo natural do sistema climático caracterizado por alterações nas temperaturas do Oceano Pacífico Equatorial e na circulação da atmosfera.

Quando ocorre o aquecimento anormal do Pacífico, a circulação atmosférica também sofre mudanças. Como consequência, os corredores de chuva e as áreas de maior concentração de calor podem se deslocar, provocando condições mais secas em algumas regiões e mais úmidas em outras.

Por isso, um El Niño muito forte não significa que todos os lugares terão o mesmo tipo de consequência. A própria OMM ressalta que a intensidade do fenômeno não determina sozinha o impacto que será registrado em cada país ou cidade. Outros elementos do sistema climático, como as condições dos oceanos Atlântico e Índico, também podem modificar os efeitos esperados.

Para os próximos meses, a OMM prevê ainda o desenvolvimento de uma fase positiva do Dipolo do Oceano Índico, enquanto o Atlântico Equatorial deve continuar mais quente que o normal. Esses fatores podem alterar a resposta climática típica associada ao El Niño.

Brasil pode ter chuva irregular e mais calor

No Brasil, os efeitos do El Niño costumam ocorrer de maneira desigual. Historicamente, o fenômeno está associado ao aumento das chuvas no Sul do país, enquanto o Norte e partes do Nordeste podem apresentar condições mais secas. No Centro-Oeste e no Sudeste, os efeitos podem ser mais variáveis.

A previsão mais recente do INMET para setembro reforça essa diferença regional: são esperadas chuvas acima da média em áreas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, enquanto partes do Norte e do Nordeste podem registrar volumes abaixo do normal.

O calor também é um dos principais pontos de atenção. A previsão da OMM para setembro, outubro e novembro indica maior probabilidade de temperaturas acima da média em grande parte das áreas continentais do planeta. Na América do Sul, esse sinal aparece com maior consistência principalmente entre a linha do Equador e os 30° de latitude sul.

No caso brasileiro, o aumento do calor pode afetar atividades como agricultura, abastecimento de água e geração de energia, principalmente quando temperaturas elevadas se combinam com períodos prolongados de pouca chuva. O INMET também alerta que alterações na distribuição das chuvas podem interferir no calendário agrícola e aumentar riscos para determinadas culturas.

El Niño não significa automaticamente uma sequência de desastres

Apesar da previsão de um fenômeno muito forte, especialistas alertam que não é possível determinar antecipadamente quais cidades terão enchentes, secas ou ondas de calor apenas com base na intensidade do El Niño.

Isso acontece porque o clima de uma determinada região depende da combinação de vários fatores. Além do Pacífico, as condições dos oceanos Atlântico e Índico e outros padrões de circulação atmosférica podem modificar os efeitos previstos.

Ainda assim, quanto mais intenso o fenômeno, maior pode ser a possibilidade de ocorrência de condições características do El Niño. A NOAA destaca que um evento de grande magnitude aumenta as chances de impactos associados ao fenômeno, mas não significa que eles ocorrerão necessariamente em todos os locais.

Um fenômeno natural em um planeta mais quente

Outro ponto que chama atenção dos pesquisadores é a combinação entre o El Niño e o atual aquecimento do planeta. O fenômeno é natural e ocorre independentemente das mudanças climáticas provocadas pela atividade humana, mas seus efeitos acontecem em um cenário de temperaturas globais já elevadas.

Durante episódios de El Niño, o calor armazenado no oceano pode contribuir para o aumento das temperaturas médias globais. Dessa forma, um evento muito intenso pode favorecer novos recordes ou períodos de calor extremo em diferentes partes do mundo.

A previsão atual é, portanto, de um segundo semestre marcado por uma forte atuação do El Niño, com possibilidade de intensificação até o final do ano. Para o Brasil, o principal desafio será acompanhar como esse fenômeno irá interagir com os demais sistemas climáticos e transformar o padrão de chuva e temperatura em cada região.

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