
A Justiça de Santa Catarina condenou um casal de Jaguaruna, no Sul do estado, a pagar R$ 100 mil de indenização ao próprio filho por danos morais, após episódios de rejeição, ameaças e abandono relacionados à orientação sexual do jovem.
Emanuel Roque tinha 17 anos quando contou aos pais que estava se relacionando com outro rapaz. Segundo relatos apresentados no processo, a reação da família foi de rejeição e o adolescente acabou deixando a residência dos pais.
O caso foi acompanhado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e envolveu registros de mensagens, publicações em redes sociais, depoimentos e outros elementos reunidos durante a apuração.
De acordo com Emanuel, os pais não aceitaram o relacionamento e ele passou por mudanças na rotina, incluindo o afastamento do trabalho e dificuldades para continuar frequentando a escola.
O jovem também relatou episódios de ofensas e ameaças dentro de casa. Entre as situações descritas no processo estão uma ameaça envolvendo um alicate e outro episódio em que o pai teria apontado uma arma contra ele.
Também foram relatadas publicações de teor homofóbico nas redes sociais e ameaças direcionadas ao namorado do jovem.
Após a intervenção do Conselho Tutelar, Emanuel foi encaminhado para um abrigo municipal, onde permaneceu por quase um ano.
Segundo o jovem, o período, apesar das dificuldades, representou uma oportunidade de reconstrução e de encontrar um ambiente no qual se sentia acolhido e protegido.
Depois de completar 18 anos, Emanuel deixou o abrigo e passou a viver no Rio Grande do Sul com o companheiro, Jonathas, contando também com o acolhimento da família dele.
O Ministério Público de Santa Catarina entrou com uma ação envolvendo abandono afetivo e violação de direitos. A Justiça determinou que os pais paguem R$ 100 mil ao filho por danos morais, com atualização do valor e juros.
A decisão também proibiu o pai de publicar conteúdos relacionados à vida privada do jovem nas redes sociais. O processo tramita em segredo de Justiça, e os pais negam as acusações e ainda podem recorrer da decisão.
Apesar do que aconteceu, Emanuel afirma que não deseja encerrar definitivamente os laços com os pais.
O jovem diz que espera que, no futuro, seja possível reconstruir a relação familiar e que considera o perdão parte desse processo.
Para ele, os acontecimentos não apagam o vínculo familiar e existe a expectativa de que, caso haja um pedido de perdão, seja possível recomeçar a relação.
Fonte: G1/Fantástico. Confira a matéria original no G1
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