
No ENEP 2026, o advogado falou ao Recorte Jurídico sobre a escolha pelo Direito Previdenciário, a responsabilidade de atuar com benefícios rurais e a importância da atualização constante para proteger direitos.
Diretamente de Sucupira do Norte, no Maranhão, o advogado Gleidson participou do ENEP 2026 em Teresina em busca de atualização, troca de experiências e novos conhecimentos sobre uma área que, segundo ele, exige estudo permanente.
Ao longo dos dois dias de evento, acompanhou conteúdos sobre aposentadoria rural, BPC, auxílio-acidente, certidão de tempo de contribuição e planejamento previdenciário. Para Gleidson, estar diante de professores e profissionais de diferentes partes do país reforça uma necessidade que acompanha toda a advocacia previdenciária: continuar aprendendo.
Do interior para a advocacia
Antes de advogar, Gleidson exerceu diferentes profissões. Mas a advocacia, segundo relata, sempre o atraiu pela possibilidade de ajudar pessoas e levar conhecimento jurídico especialmente a quem mais necessita de orientação.
Sua própria história ajuda a explicar essa escolha. Gleidson veio do interior e se tornou o primeiro advogado da família. A formação lhe permitiu retornar à região como profissional e atender pessoas do Médio Sertão Maranhense, sem deixar de atuar também em casos de outras partes do Brasil.
“É muito bom você vir do interior e poder voltar como advogado e poder ajudar todas as pessoas da minha região”, afirma.
No Direito Previdenciário, ele destaca não apenas a busca pela concessão de benefícios, mas também o trabalho de informação e de organização documental. Para Gleidson, preparar corretamente os documentos pode tornar o caminho do segurado mais claro e evitar dificuldades no momento de requerer um direito.
Uma vida na roça também precisa ser contada pelos documentos
Entre os casos que marcaram sua atuação, Gleidson recorda o de uma trabalhadora rural que buscava a aposentadoria por idade. Ela havia passado a vida no campo, possuía diversos documentos ligados à atividade rural e, segundo ele, nunca havia exercido outra profissão.
O caso evidencia um problema que o advogado encontra com frequência: muitos trabalhadores deixam para reunir a documentação somente quando chega o momento de solicitar o benefício.
Para Gleidson, quantidade de documentos, por si só, não resolve o problema. É necessário organizá-los de forma que sejam capazes de demonstrar a trajetória daquela pessoa no trabalho rural.
Mesmo com as provas existentes, o benefício da cliente foi indeferido e o caso precisou ser judicializado. Foi durante a audiência que surgiu um elemento que chamou especialmente sua atenção: testemunhas relataram ao juiz que a trabalhadora já havia sido picada por uma cascavel enquanto estava no meio rural.
Segundo Gleidson, a informação se somou ao conjunto de elementos do processo e o juiz determinou a implantação urgente do benefício. Para ele, situações como essa mostram a importância de o advogado conhecer profundamente a história do cliente e identificar elementos capazes de reforçar a prova da atividade rural.
Atualização como responsabilidade
Gleidson afirma que mesmo profissionais com oito ou dez anos de advocacia precisam continuar participando de cursos e eventos. A razão, segundo ele, está na própria dinâmica do Direito Previdenciário, submetido a reformas, instruções normativas, portarias e entendimentos dos tribunais que podem mudar com frequência.
Nesse cenário, atualização não aparece apenas como diferencial profissional. Na visão do advogado, trata-se de uma obrigação diante da confiança depositada pelo cliente.
Estudar continuamente, portanto, é também uma maneira de evitar que a falta de conhecimento sobre uma mudança normativa termine prejudicando um direito.
“Não entrem de qualquer forma”
Ao deixar um conselho para estudantes e jovens advogados interessados em viver da advocacia previdenciária, Gleidson volta ao mesmo ponto que atravessa toda a sua fala: preparação.
Ele recomenda estudar, buscar orientação com profissionais mais experientes e compreender como organizar adequadamente a documentação de cada caso.
“Não entrem de qualquer forma”, aconselha.
Para Gleidson, cada atendimento exige conhecer a história do cliente, procurar documentos relevantes, identificar testemunhas quando necessário e organizar as provas com responsabilidade.
O cuidado ganha um peso ainda maior quando do outro lado está um trabalhador que passou uma vida inteira na roça e depende daquele benefício. É justamente por isso que, em sua visão, a atuação do advogado deve ser construída para beneficiar — e nunca prejudicar — quem confiou a ele a própria causa.
Da condição de primeiro advogado da família ao retorno profissional para sua região, a trajetória apresentada por Gleidson no ENEP 2026 revela uma advocacia ligada à origem, ao estudo e à responsabilidade de transformar conhecimento jurídico em acesso a direitos.
Onde encontrar: Gleidson atua em Sucupira do Norte, no Maranhão, e informou na entrevista que também atende casos de outros municípios e estados. Seu principal meio de contato é o telefone pessoal divulgado durante a entrevista.
A entrevista foi concedida ao Recorte Jurídico durante o ENEP 2026.
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