
No segundo dia do ENEP 2026, a advogada previdenciarista Diana Carvalho compartilhou uma visão da profissão construída a partir do contato direto com pessoas em situação de vulnerabilidade. Para ela, o Direito Previdenciário vai além da necessidade financeira de quem procura um escritório: muitas vezes, o cliente também precisa de amparo, escuta e de uma relação mais humana.
Uma advocacia voltada para quem precisa de amparo
Entre tantas possibilidades dentro do Direito, Diana encontrou no Previdenciário uma área em que poderia atuar diante de realidades marcadas pela vulnerabilidade. Ela cita especialmente os atendimentos relacionados ao BPC/LOAS e aos trabalhadores rurais, públicos que, segundo sua experiência, frequentemente chegam ao escritório necessitando não apenas de orientação jurídica, mas também de acolhimento.
Essa realidade aparece de maneira ainda mais evidente nos benefícios rurais. Diana explica que muitos trabalhadores passam grande parte da vida concentrados no trabalho e no sustento da família, sem preocupação em guardar documentos ou identificar previamente quais registros poderão ser necessários para uma futura aposentadoria.
Segundo ela, muitas vezes essa preocupação documental só surge por volta dos 50 anos, quando a aposentadoria começa a se tornar uma questão concreta. É nesse momento que a construção das provas pode se transformar em um dos desafios do atendimento previdenciário.
“Você me trouxe vida nova”
Entre os casos que atravessaram sua trajetória profissional, Diana guarda de maneira especial a história de um homem que procurou seu escritório em busca de um BPC/LOAS.
Ele vivia apenas com o pai, com mais de 70 anos. De acordo com Diana, ambos eram pessoas com deficiência e a renda existente era de apenas um salário mínimo para o sustento dos dois. O filho também não podia trabalhar porque precisava cuidar do pai.
Durante muito tempo, ele sequer buscou o benefício. O motivo era a informação que havia recebido de outras pessoas: diziam que ele não teria direito.
A situação começou a mudar quando alguém indicou o nome da advogada e ele decidiu procurar o escritório. Diana analisou o caso e conseguiu o BPC para o cliente.
Mais do que a concessão do benefício, porém, foi uma frase que permaneceu na memória da advogada.
“Doutora, você me trouxe vida nova.”
Diana conta que guardou aquelas palavras. A frase sintetiza justamente o aspecto que a aproximou do Direito Previdenciário: a possibilidade de atuar em momentos nos quais uma orientação jurídica e o acesso a um direito podem produzir mudanças concretas na vida de uma pessoa e de sua família.
Conhecimento que também muda estratégias
Para Diana, encontros profissionais como o ENEP também têm impacto direto na rotina do escritório. Durante o próprio evento, ela afirma ter encontrado novos caminhos para processos que ainda não conseguia resolver.
A troca com outros advogados e o conteúdo apresentado pelos palestrantes proporcionaram insights que, segundo ela, permitiram identificar estratégias mais eficazes para casos específicos.
Por isso, Diana considera a participação em eventos jurídicos uma parte importante da atualização profissional. Mais do que acompanhar conteúdos, esses espaços possibilitam compartilhar experiências, confrontar estratégias e levar novos conhecimentos para situações reais já enfrentadas no escritório.
Da vulnerabilidade que a aproximou do Previdenciário à frase de um cliente que nunca esqueceu, a trajetória relatada por Diana no ENEP mostra uma advocacia em que conhecimento técnico e dimensão humana caminham juntos.
Onde acompanhar: Diana Carvalho está no Instagram como @diana.carvalho.adv, onde publica conteúdos e dicas jurídicas.
A entrevista foi concedida ao Recorte Jurídico durante o ENEP 2026.
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