
Bruno Andrade veio de Remanso, no Vale do São Francisco, norte da Bahia, para participar do ENEP pelo segundo ano seguido. Em entrevista ao Recorte Jurídico, ele definiu sua história como “um testemunho de fé”.
Uma cocada no meio do caminho
Em 2014, Bruno deixou Remanso e foi para Teresina cursar Direito. Durante a faculdade, foi assaltado e teve o computador roubado. Foi aí que entrou a cocada: a então namorada, hoje esposa, fez algumas de presente, ele gostou, e uma prima sugeriu que eles vendessem. Com a venda das cocadas, Bruno comprou outro computador e concluiu o curso.
O obstáculo seguinte foi a prova da OAB. A ansiedade era tão grande que, na hora do exame, ele chegava a desistir. Nesse período, trabalhou como frentista e chegou a ouvir, em tom de brincadeira, que poderia vender um curso sobre “como ser um fracassado na vida”.
A virada
Em 2022, Bruno voltou para Remanso e se inscreveu novamente na prova. Cristão, ele conta que uma mensagem ouvida na igreja o fortaleceu. Passou na primeira fase e, depois, na segunda.
Pouco depois, recebeu uma mensagem inesperada da advogada Eliene, esposa de um de seus professores da faculdade. Ela soube por uma prima dele que Bruno havia sido aprovado e ofereceu de presente um curso de Direito Previdenciário do professor Vitor Carvalho. Foi o ponto de partida: ele começou a estudar e, em seguida, a advogar.
“Eu sou advogado hoje porque Deus quis que eu fosse”, afirma. Durante o próprio ENEP, enquanto assistia às palestras, recebeu por e-mail a notícia de um salário-maternidade concedido. Hoje, brinca, o curso que ele poderia vender seria outro: como ser bem-sucedido na advocacia.
O caso que marcou
Entre os casos que mais o marcaram está o de uma senhora que sempre trabalhou na roça. Ao pedir a aposentadoria rural, em 2024, ela descobriu que havia um CNPJ aberto em seu nome, o que gerou um vínculo urbano e levou a sucessivos indeferimentos.
Quando o caso chegou a Bruno, ele reuniu documentos que comprovavam que ela não tinha vínculo urbano. A sentença saiu neste ano, e ela recebeu os valores retroativos desde 2024. Emocionada, mandou uma mensagem chorando e agradecendo: ser aposentada era o sonho dela, e o dinheiro ainda ajudou a quitar uma dívida que ela não sabia como pagar.
Menos ansiedade, mais hoje
O conselho de Bruno vem da própria experiência. O que mais o atrapalhou, diz, foi a ansiedade: sofrer por um dia que ainda nem chegou. Por isso, recomenda viver e estudar o dia de hoje. Se não conseguir acertar as questões de uma prova, dê uma pausa, faça uma caminhada, vá à igreja e recomece no dia seguinte, sem desistir.
Para ele, até o roubo do computador contribuiu para que hoje exerça a advocacia. Ele cita Romanos 8:28: “Todas as coisas cooperam juntamente para o bem daqueles que amam a Deus”.
Além da técnica
Bruno também destacou habilidades que vão além do conhecimento jurídico. A oratória é essencial, diz, porque no previdenciário muitas pessoas precisam entender a mensagem em linguagem simples, e não em “juridiquês”.
A gestão do escritório também pesa. Ele admite que, recentemente, por falta de organização, perdeu uma audiência e teve que pagar multa. A lição: gestão de tempo, de trabalho e financeira são fundamentais no dia a dia da advocacia.
Onde acompanhar: Bruno está no Instagram como Bruno Andrade Advocacia, com um “a” a mais no final.
A entrevista completa está no Instagram do Recorte Jurídico e no canal Recorte Jurídico Oficial, no YouTube. Toda semana tem episódio novo.
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