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Debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na Band: confira o que é verdadeiro, falso ou impreciso nas declarações dos candidatos

Levantamento analisa afirmações sobre dívida pública, Bolsa Família, economia, relações internacionais, segurança das mulheres e programas sociais durante o confronto presidencial.

19/10/2026 às 10h30 Atualizada em 19/10/2026 às 12h05
Por: Redação Fonte: g1 //https://g1.globo.com/fato-ou-fake/eleicoes/noticia/2026/10/19/veja-o-que-e-fato-ou-fake-nas-falas-de-flavio-bolsonaro-e-lula-no-debate-da-band-no-2o-turno-das-eleicoes-2026.ghtml
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Debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na Band: confira o que é verdadeiro, falso ou impreciso nas declarações dos candidatos

O debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite de domingo (18 de outubro), pela Band, reuniu declarações sobre temas econômicos, sociais e políticos que foram submetidas à verificação de fatos.

O encontro, promovido pelo Grupo Bandeirantes em parceria com TV Gazeta, TV Cultura, Jovem Pan e O Estado de S. Paulo, integrou a programação do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Entre os assuntos abordados estiveram o crescimento da dívida pública, os valores pagos pelo Bolsa Família, as negociações comerciais com os Estados Unidos, as decisões judiciais envolvendo Lula, os registros de feminicídio e os resultados fiscais de diferentes governos.

A partir das verificações realizadas pela equipe do Fato ou Fake, do g1, em parceria com O Globo e Valor, confira o que os dados oficiais revelam sobre as principais declarações dos dois candidatos.

DECLARAÇÕES DE FLÁVIO BOLSONARO (PL)

1. Dívida pública brasileira ultrapassa R$ 11 trilhões

Classificação: FATO

Ao questionar a condução da economia brasileira, Flávio Bolsonaro afirmou que a dívida acumulada durante o atual governo alcançou aproximadamente R$ 11 trilhões.

Os números divulgados pelo Banco Central confirmam o valor mencionado pelo candidato. Conforme nota publicada em 30 de setembro de 2026, a Dívida Bruta do Governo Geral chegou a R$ 11,1 trilhões em agosto, representando 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

Entretanto, existe uma distinção importante na interpretação do indicador. O montante considera obrigações financeiras não apenas do governo federal, mas também do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), dos estados e dos municípios.

Para efeito de comparação, em dezembro de 2022, último mês anterior ao início do terceiro mandato de Lula, a dívida bruta estava em R$ 7,2 trilhões, equivalente a 73,5% do PIB.

Portanto, o valor citado por Flávio Bolsonaro corresponde às estatísticas oficiais, embora represente o endividamento conjunto das diferentes esferas governamentais.

2. Bolsonaro foi responsável pelo aumento do Bolsa Família para R$ 600?

Classificação: NÃO É BEM ASSIM

Durante o debate, Flávio Bolsonaro atribuiu ao governo de Jair Bolsonaro a elevação do benefício social para R$ 600, destacando que o valor anteriormente pago às famílias era consideravelmente menor.

Os registros legislativos confirmam que a ampliação ocorreu em 2022, mas demonstram que sua implementação dependeu de medidas adotadas tanto pelo Poder Executivo quanto pelo Congresso Nacional.

Segundo informações da Câmara dos Deputados, o Bolsa Família pagava, em média, aproximadamente R$ 189 em 2021, antes da substituição pelo Auxílio Brasil.

A primeira mudança ocorreu por iniciativa do então presidente Jair Bolsonaro, por meio da Medida Provisória nº 1.076/2021, que estabeleceu um complemento destinado a garantir pagamentos mínimos de R$ 400.

Após aprovação parlamentar, a proposta resultou na Lei nº 14.342/2022, que tornou permanente o novo valor.

Posteriormente, o Congresso aprovou a Emenda Constitucional nº 123, promulgada em 14 de julho de 2022, responsável por acrescentar R$ 200 ao benefício entre agosto e dezembro daquele ano.

Como se tratava de uma emenda constitucional, sua entrada em vigor não dependia de sanção presidencial e tampouco poderia ser vetada pelo presidente da República.

Outro dado relevante envolve a atualização anunciada pelo governo Lula em 17 de setembro de 2026, a 17 dias do primeiro turno eleitoral.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, o reajuste de 15,04% elevou o piso do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691, com início dos pagamentos previsto para 19 de outubro.

A pasta informou que essa foi a primeira correção inflacionária desde a reformulação do programa, em 2023, considerando a variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março daquele ano e agosto de 2026.

Assim, embora o benefício tenha alcançado R$ 600 durante a administração Bolsonaro, não é correto atribuir exclusivamente ao então presidente todas as etapas da ampliação.

3. Governo Lula não enviou representantes aos Estados Unidos para defender produtos brasileiros?

Classificação: FAKE

Flávio Bolsonaro declarou que viajou aos Estados Unidos para defender empresas e produtos nacionais diante das tarifas comerciais americanas, afirmando que o governo brasileiro não havia enviado representantes para essa finalidade.

O histórico diplomático e comercial apresentado na checagem contradiz a declaração.

Em 2 de abril de 2025, o presidente americano Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 10% sobre importações brasileiras. Posteriormente, em 6 de agosto, entrou em vigor outra sobretaxa de 40%, anunciada no mês anterior, levando a cobrança total a 50% sobre determinados produtos.

Apesar das restrições, aproximadamente 700 itens ficaram fora da cobrança adicional.

Em 6 de outubro de 2025, Lula conversou por telefone com Trump durante cerca de 30 minutos, ocasião em que solicitou a revogação das tarifas.

Dez dias depois, em 16 de outubro, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se na Casa Branca com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para discutir a reversão das medidas comerciais.

Em 20 de novembro daquele ano, os Estados Unidos anunciaram a retirada da tarifa de 40% para mais de 200 produtos brasileiros, incluindo carne bovina e café.

As negociações prosseguiram em 2026.

Em 7 de maio, Lula participou de um encontro presencial com Trump na Casa Branca. A reunião abordou assuntos comerciais, incluindo a política tarifária aplicada ao Brasil.

A comitiva brasileira contou com Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores; Dario Durigan, ministro da Fazenda; Márcio Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia; e Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública.

Em 26 de maio, Flávio Bolsonaro também se reuniu com Trump na Casa Branca, acompanhado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do influenciador Paulo Figueiredo.

Posteriormente, em 7 de julho, o senador participou de uma audiência pública organizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A manifestação ocorreu de maneira independente, sem vinculação com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

O governo federal não designou representantes para discursar oficialmente nessas audiências, mas a embaixada brasileira em Washington acompanhou as discussões por meio de observadores.

A posição do Executivo brasileiro era de que as audiências públicas não constituíam o ambiente mais adequado para negociações comerciais efetivas, privilegiando contatos técnicos e diplomáticos de alto nível.

Ainda em julho, novas medidas tarifárias foram implementadas pelos Estados Unidos. Uma cobrança de 25% entrou em vigor no dia 22, seguida por outra de 12,5% no dia 24.

Com isso, a tarifa total alcançou 37,5% sobre parte das exportações brasileiras, enquanto milhares de produtos permaneceram isentos, incluindo itens relevantes para a economia americana, como petróleo, café e carne bovina.

Dessa forma, a alegação de ausência de atuação governamental não corresponde ao conjunto das iniciativas diplomáticas documentadas.

4. Lula foi condenado em todas as instâncias da Justiça?

Classificação: FATO para primeira e segunda instâncias e STJ; FAKE para o STF

Um dos momentos do debate envolveu as condenações judiciais de Lula no contexto da Operação Lava Jato.

Flávio Bolsonaro afirmou que o presidente havia sido condenado na primeira e na segunda instâncias, no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e também no Supremo Tribunal Federal (STF).

A declaração reúne informações verdadeiras e falsas.

Condenações na primeira e segunda instâncias

Lula recebeu condenações nos processos relacionados ao tríplex do Guarujá e ao sítio de Atibaia.

A primeira sentença foi proferida em 12 de julho de 2017 pelo então juiz federal Sergio Moro, responsável pela 13ª Vara Federal de Curitiba.

No processo do tríplex, Lula foi condenado a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A acusação sustentava que o imóvel teria sido recebido como vantagem indevida da empreiteira OAS em troca de contratos com a Petrobras.

Em 24 de janeiro de 2018, a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) confirmou a condenação por unanimidade e aumentou a pena para 12 anos e 1 mês.

Outra sentença ocorreu em 6 de fevereiro de 2019, quando a juíza Gabriela Hardt condenou Lula a 12 anos e 11 meses de prisão no processo do sítio de Atibaia, também por corrupção e lavagem de dinheiro.

Em 27 de novembro de 2019, o TRF-4 manteve essa condenação e ampliou a pena para 17 anos e 1 mês.

Decisão do Superior Tribunal de Justiça

Em 23 de abril de 2019, a 5ª Turma do STJ manteve a condenação referente ao tríplex, mas reduziu a pena para 8 anos, 10 meses e 20 dias.

O tribunal não chegou a concluir o julgamento do recurso relativo ao sítio de Atibaia antes da anulação das condenações pelo Supremo Tribunal Federal, em março de 2021.

O que aconteceu no Supremo Tribunal Federal?

Ao contrário do que afirmou Flávio Bolsonaro, Lula não foi condenado pelo STF.

Em 8 de março de 2021, o ministro Edson Fachin anulou as condenações relacionadas aos processos da Lava Jato ao reconhecer que a 13ª Vara Federal de Curitiba não possuía competência para julgá-los.

A decisão considerou que os processos não apresentavam relação direta com os desvios investigados na Petrobras, circunstância que comprometia a definição do juízo competente.

É importante destacar que a anulação ocorreu por questões processuais e não representou um julgamento de inocência sobre o mérito das acusações.

Em 23 de março de 2021, a Segunda Turma do STF reconheceu a parcialidade de Sergio Moro no julgamento do caso do tríplex, determinando a invalidação dos atos processuais afetados.

O plenário do Supremo confirmou essa decisão em 23 de junho.

Portanto, as condenações em primeira instância, segunda instância e no STJ efetivamente ocorreram. Entretanto, não houve condenação de Lula pelo STF.

5. Brasil registrou número recorde de feminicídios durante o governo Lula?

Classificação: FATO

Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil registrou um recorde de mulheres assassinadas durante a atual administração federal.

Os dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho de 2026 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), confirmam um recorde na quantidade de feminicídios.

Em 2025, foram contabilizados 1.571 casos, contra 1.504 em 2024, o que representa crescimento de 4%.

Esse é o maior número registrado desde 2015, quando o feminicídio passou a ser tipificado na legislação brasileira.

O crime corresponde ao assassinato de mulheres motivado por circunstâncias de violência doméstica e familiar ou por menosprezo ou discriminação à condição feminina.

Segundo Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do FBSP, o crescimento dos registros não pode ser explicado exclusivamente pelo aprimoramento dos mecanismos de notificação, existindo também indicadores de aumento efetivo da violência.

O anuário revelou ainda que as ocorrências de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica atingiram 286.270 registros em 2025, alta de 2,6% em comparação com o ano anterior.

Trata-se do maior quantitativo desde pelo menos 2016, primeiro ano com informações nacionais disponíveis nas edições anteriores do levantamento.

O volume corresponde a pelo menos uma agressão a cada dois minutos.

Outros indicadores também apresentaram crescimento em 2025:

  • Tentativas de feminicídio: aumento de 6%.

  • Descumprimento de medidas protetivas: crescimento de 17%.

  • Casos de perseguição, conhecidos como stalking: alta de 30%.

Entretanto, os dados apontam uma diferença entre feminicídios e homicídios de mulheres considerados em sua totalidade.

Quando incluídas todas as motivações, os assassinatos de mulheres apresentaram redução de 5,5% em 2025, totalizando 3.539 ocorrências.

Mesmo assim, os feminicídios cresceram e passaram a representar 44,4% das mortes violentas de mulheres, maior proporção registrada na série histórica.

Assim, os números confirmam o recorde de feminicídios, mas não indicam aumento no total de assassinatos de mulheres por todas as causas.

DECLARAÇÕES DE LULA (PT)

6. Lula registrou superávit primário nos oito anos de seus dois primeiros mandatos?

Classificação: FATO

Durante o confronto, Lula afirmou ter sido o único presidente da República a registrar superávit primário em todos os oito anos de seus primeiros mandatos.

A verificação consultou os dados do Resultado Primário do Governo Central, disponibilizados pelo Tesouro Nacional em 27 de janeiro de 2023.

Os números mostram que o governo federal registrou resultados primários positivos em todos os anos entre 2003 e 2010, período correspondente aos dois primeiros mandatos do petista.

O superávit primário ocorre quando as receitas do governo superam as despesas, desconsiderando os juros da dívida pública. Esse resultado representa a economia gerada para contribuir com o pagamento dos encargos financeiros.

Na comparação com outros presidentes que completaram dois mandatos consecutivos após a redemocratização, o levantamento destaca Fernando Henrique Cardoso.

FHC governou de 1995 a 2002, mas não apresentou superávit primário em todos os anos. Em 1997, por exemplo, houve déficit de 0,3%.

Dessa forma, os registros do Tesouro Nacional sustentam a afirmação de Lula sobre os resultados fiscais de seus dois primeiros mandatos.

7. Brasil conquistou dois graus de investimento durante o governo Lula?

Classificação: NÃO É BEM ASSIM

Lula declarou ter sido o primeiro presidente a conquistar dois graus de investimento para o Brasil entre 2007 e 2010.

Os dados das agências internacionais de classificação de risco mostram que o país realmente passou por duas etapas de elevação de suas notas de crédito no segundo mandato do petista.

Contudo, isso não significa que o Brasil tenha conquistado dois graus de investimento distintos.

As avaliações são realizadas por instituições como Fitch Ratings, S&P Global Ratings e Moody's, responsáveis por analisar a capacidade dos países de cumprir suas obrigações financeiras.

Essas classificações influenciam a percepção de risco dos investidores internacionais.

A primeira rodada de melhorias ocorreu entre maio e agosto de 2007.

Nesse período, Fitch e S&P elevaram a classificação brasileira de BB para BB+, enquanto a Moody's alterou a nota de Ba2 para Ba1.

Apesar do avanço, o Brasil ainda permanecia na categoria especulativa, considerada de maior risco.

Segundo a metodologia da S&P, classificações entre BB+ e D integram a categoria especulativa, enquanto o grau de investimento começa em BBB- e alcança AAA, a classificação máxima.

A mudança efetiva de categoria ocorreu entre abril e maio de 2008, quando S&P e Fitch elevaram a nota brasileira de BB+ para BBB-.

Com isso, o país passou a integrar o grupo de economias consideradas grau de investimento por essas agências.

Em setembro de 2009, a Moody's também elevou a classificação do Brasil de Ba1 para Baa3, reconhecendo a melhoria das condições de crédito soberano.

Portanto, a declaração de Lula se apoia em avanços reais das avaliações internacionais, mas confunde duas rodadas de elevação das notas com a obtenção de dois graus de investimento.

8. Governo Bolsonaro deixou déficit primário de 2,8% do PIB?

Classificação: FAKE

Em uma crítica à política fiscal da administração anterior, Lula afirmou que o governo de Jair Bolsonaro havia encerrado seu mandato deixando déficit equivalente a 2,8% do Produto Interno Bruto.

As estatísticas oficiais do Tesouro Nacional não confirmam essa informação.

Em 2022, último ano da gestão Bolsonaro, o governo central registrou superávit primário de R$ 46,4 bilhões, correspondente a aproximadamente 0,5% do PIB.

O resultado primário considera a diferença entre receitas e despesas públicas, sem contabilizar os juros da dívida.

Já em 2023, primeiro ano do terceiro mandato de Lula, houve déficit primário de R$ 228,5 bilhões, equivalente a 2,1% do PIB.

A equipe econômica do governo Lula atribui parte desse resultado ao pagamento de despesas que, segundo sua avaliação, teriam sido postergadas pela administração anterior.

Entre elas estavam R$ 92,4 bilhões em precatórios, valores decorrentes de decisões judiciais definitivas pagos em 2023.

Projeções fiscais para 2026

Segundo o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias mencionado na checagem, a estimativa governamental para 2026 é de déficit primário efetivo de R$ 52 bilhões, aproximadamente 0,4% do PIB.

Quando considerados os abatimentos autorizados pelas regras fiscais, incluindo determinados pagamentos de precatórios, o resultado projetado passa a ser superavitário em R$ 10,8 bilhões, pouco menos de 0,1% do PIB.

A meta fiscal estabelecida para 2026 corresponde a superávit de 0,25% do PIB, com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos.

Portanto, os dados oficiais demonstram que o governo Bolsonaro encerrou 2022 com superávit primário, e não com o déficit de 2,8% mencionado por Lula.

9. Programa Mais Médicos passou de aproximadamente 12 mil para quase 28 mil profissionais?

Classificação: FATO

Lula destacou, durante o debate, a ampliação do número de profissionais vinculados ao programa Mais Médicos desde seu retorno à Presidência, em 2023.

O presidente afirmou que o programa havia alcançado anteriormente cerca de 18 mil médicos, sofreu redução para aproximadamente 12 mil e atualmente se aproximava de 28 mil profissionais.

Os dados históricos do Ministério da Saúde confirmam a trajetória de expansão, retração e recuperação do contingente de médicos, embora existam diferenças entre os números aproximados apresentados e os registros oficiais.

Em 2015, após uma fase de crescimento, o programa contabilizava 18.240 profissionais.

Em dezembro de 2022, imediatamente antes do início do terceiro mandato de Lula, havia 13.716 médicos distribuídos entre duas iniciativas federais.

Desse total, 8.919 profissionais integravam o Mais Médicos, enquanto 4.797 atuavam pelo programa Médicos pelo Brasil.

Em outubro de 2026, o número de profissionais em atividade chegou a 26.660, segundo arquivos do Ministério da Saúde atualizados em 9 de outubro.

O levantamento também apontava 28.456 vagas disponíveis, mas nem todas estavam efetivamente ocupadas.

Entre elas, 1.141 encontravam-se em processo de preenchimento e outras 655 permaneciam desocupadas.

Dessa maneira, apesar das aproximações utilizadas por Lula, os registros oficiais confirmam o crescimento expressivo do número de médicos vinculados às iniciativas federais desde 2023.

Debate evidencia a importância da verificação de informações

As declarações analisadas demonstram que informações apresentadas durante debates eleitorais podem reunir dados corretos, interpretações incompletas e afirmações incompatíveis com registros oficiais.

No caso de Flávio Bolsonaro, as verificações confirmaram informações relacionadas à dívida pública, às condenações judiciais anteriores de Lula e ao recorde de feminicídios. Por outro lado, identificaram imprecisões na atribuição do aumento do Bolsa Família e inconsistências nas afirmações sobre a atuação diplomática brasileira e uma suposta condenação de Lula pelo Supremo Tribunal Federal.

Nas declarações do presidente Lula, os dados sustentaram as informações sobre os superávits primários de seus dois primeiros mandatos e a expansão do Mais Médicos. Entretanto, a afirmação sobre dois graus de investimento exigiu contextualização, enquanto o suposto déficit de 2,8% herdado do governo Bolsonaro não encontrou respaldo nos números oficiais.

O levantamento reforça a necessidade de examinar não apenas os números apresentados pelos candidatos, mas também o contexto, os períodos de referência e a metodologia utilizada na interpretação dos indicadores.

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