O que começou como o sonho de uma menina que admirava as advogadas na televisão se transformou em uma carreira marcada por histórias de trabalhadores, famílias e pessoas que encontram na proteção social uma possibilidade de recomeço. Para a advogada Ranieli Araújo, o exercício da profissão ganhou um significado especial quando percebeu que, por trás de cada benefício previdenciário, existia muito mais do que um processo administrativo ou judicial.
À frente do escritório Ranieli Araújo – Advocacia Previdenciária, localizado em São José da Laje, Alagoas, a profissional acumula 12 anos de experiência desde o início de sua atuação, em 2014. Sua trajetória revela uma mudança importante de perspectiva: a advocacia, inicialmente escolhida também como caminho para conquistar independência financeira, tornou-se um instrumento de justiça social.
Essa transformação aconteceu ainda no começo da carreira, quando um de seus primeiros clientes a agradeceu emocionado, em lágrimas, após conseguir um benefício que lhe permitiria colocar comida na mesa.
O episódio mudou a maneira como Ranieli compreendia sua responsabilidade profissional. Mais do que assegurar um direito, ela percebeu que seu trabalho poderia interferir diretamente nas condições de vida de uma família.
Da independência financeira à descoberta de um propósito
Desde a infância, Ranieli demonstrava interesse pelo universo jurídico. Encantada com a profissão, imaginava-se seguindo o mesmo caminho das advogadas que assistia na televisão. A identificação com a defesa de direitos e a inconformidade diante de situações de injustiça contribuíram para consolidar sua escolha.
Ao ingressar na advocacia, entretanto, a decisão de atuar no Direito Previdenciário também foi motivada por objetivos financeiros. Ranieli não esconde essa realidade e considera importante reconhecer que construir estabilidade econômica faz parte das aspirações legítimas de quem inicia uma carreira.
“Não vou romantizar essa parte da minha história”, afirma.
Com o passar dos anos e o contato direto com as dificuldades enfrentadas pelos clientes, essa visão se ampliou. A experiência de acompanhar pessoas que dependiam de benefícios para garantir necessidades básicas fez com que a advogada encontrasse uma dimensão mais humana em sua atividade.
“Eu estava fazendo justiça social. Estava ajudando alguém a recuperar sua dignidade”, recorda ao descrever a percepção que teve no início da trajetória.
Essa compreensão passou a orientar sua forma de trabalhar e a relação construída com aqueles que procuram atendimento no escritório.
Quando a aposentadoria representa o fim de uma vida de trabalho pesado
Entre as experiências que marcaram sua carreira, Ranieli destaca a história de um trabalhador que passou anos exercendo atividades no corte de cana-de-açúcar.
Após conseguir sua aposentadoria, ele compartilhou com a advogada, emocionado, o alívio de não precisar continuar realizando aquele trabalho para garantir a própria sobrevivência.
Para Ranieli, situações como essa representam o significado mais profundo da advocacia previdenciária. A concessão de um benefício pode simbolizar o encerramento de um longo ciclo de esforço físico, insegurança financeira e dificuldades familiares.
A profissional atua tanto na esfera administrativa quanto na judicial, acompanhando demandas relacionadas a aposentadorias, benefícios por incapacidade, pensão por morte, salário-maternidade, auxílio-reclusão e Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Embora cada modalidade possua requisitos específicos, a advogada defende que o atendimento não deve se limitar à análise documental.
Na sua avaliação, compreender a trajetória de trabalho, as condições familiares e as dificuldades enfrentadas por cada pessoa é fundamental para desenvolver uma atuação responsável e individualizada.
Essa proximidade também representa um desafio emocional. Ranieli relata que lidar com histórias de doença, desemprego e vulnerabilidade exige preparo técnico, mas também capacidade de escuta e sensibilidade.
Informação jurídica como instrumento de transformação social
A experiência acumulada ao longo de mais de uma década também despertou na advogada uma preocupação com a falta de acesso à informação sobre direitos previdenciários e assistenciais.
Segundo Ranieli, muitas pessoas deixam de procurar orientação porque desconhecem as possibilidades previstas na legislação ou acreditam que uma negativa administrativa representa necessariamente o encerramento de qualquer alternativa.
Ela observa que dúvidas relacionadas à aposentadoria, à proteção por incapacidade e ao salário-maternidade fazem parte da realidade de pessoas que, muitas vezes, não sabem onde buscar esclarecimentos.
Por essa razão, considera a comunicação acessível uma extensão importante do trabalho jurídico.
“Acredito que informação também é uma forma de fazer justiça social”, afirma.
Nas redes sociais, procura abordar questões previdenciárias em linguagem simples, com o objetivo de facilitar a compreensão de temas que frequentemente são apresentados de maneira técnica.
Para ela, o conhecimento jurídico precisa chegar também às pessoas que encontram maiores dificuldades para compreender seus direitos.
Empreendedorismo feminino e os próximos capítulos da carreira
Além da atuação jurídica, Ranieli enfrenta os desafios relacionados à administração do próprio escritório e à conciliação entre a vida profissional e familiar.
Como mulher, mãe, advogada e empreendedora, reconhece que equilibrar responsabilidades exige organização, determinação e disposição para enfrentar decisões difíceis.
Seu projeto de futuro envolve fortalecer a estrutura do escritório, ampliar a preparação da equipe e continuar investindo no próprio aperfeiçoamento profissional.
O crescimento, entretanto, não é compreendido apenas como expansão da atividade ou aumento do número de atendimentos. A advogada deseja preservar a relação de confiança construída com seus clientes.
“Não quero construir apenas um escritório grande. Quero construir um escritório que seja lembrado pela confiança, pelo respeito e pela maneira como trata seus clientes.”
A profissional também enxerga na própria trajetória uma oportunidade de demonstrar que mulheres podem construir carreiras, empreender e ocupar espaços de decisão sem abandonar suas identidades e aspirações pessoais.
A fé é outro elemento presente em sua história. Ranieli atribui a Deus um papel importante na maneira como compreende os caminhos percorridos e o propósito que encontrou na advocacia.
Ao recordar a menina que sonhava em ser advogada, reconhece que realizou aquele objetivo, mas encontrou na profissão algo que não imaginava inicialmente: a possibilidade de participar de conquistas essenciais na vida de outras pessoas.
Hoje, depois de 12 anos de exercício profissional, continua buscando crescimento e prosperidade, sem perder de vista aquilo que considera sua principal realização.
Mais do que ser lembrada pelos processos conduzidos, Ranieli deseja construir um legado associado às pessoas e às famílias que ajudou ao longo da carreira.
É nessa combinação entre realização profissional, responsabilidade jurídica e compromisso social que a advogada pretende escrever os próximos capítulos de sua história.
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