
Presença constante em eventos de advocacia previdenciária, o procurador federal e professor Ibrahim Djalma esteve no ENEP 2026 como palestrante e conversou com o Recorte Jurídico sobre sua trajetória e os temas que vêm mudando o dia a dia de quem atua na área.
Uma trajetória de 24 anos com o INSS
A história dele com o Direito Previdenciário começou em 2002, quando, aos 20 anos, assumiu na Justiça Federal, no Juizado. Em 2006, passou para a Procuradoria. Desde então, são 24 anos trabalhando com o INSS, somados à atuação como professor. Segundo ele, é essa bagagem que permite contribuir com advogados, servidores públicos, estudantes e cidadãos que precisam acompanhar uma matéria que muda todos os dias.
O tema da palestra: o Tema 1.124 do STJ
Na palestra, Ibrahim tratou do Tema 1.124 do STJ, que, segundo ele, havia acabado de ser esclarecido em embargos de declaração publicados na segunda-feira anterior ao evento. O tema trata de como o processo administrativo deve ser conduzido para chegar à Justiça de forma adequada e, a partir daí, ter ou não efeitos financeiros retroativos.
Para o procurador, trata-se de uma mudança que "radicalizou a forma de atuação do advogado sem ele sequer perceber".
INSS ou Justiça: dois caminhos diferentes
Ibrahim lembra que já houve tempos em que advogar no Judiciário era mais vantajoso e outros em que o administrativo era melhor. "Hoje reputo que no administrativo seja melhor", afirmou.
As diferenças, explica, estão no meio de prova, na forma de protocolar, na maneira de apresentar o pedido e nos argumentos técnicos. A prova testemunhal, por exemplo, é mais fácil na Justiça; no INSS, não há entrevista rural. Há ainda a questão do volume: segundo ele, o INSS recebe cerca de 30 mil requerimentos por dia, número muito maior do que a demanda da Justiça. Por isso, o advogado precisa saber como atuar em cada via.
A presença ainda faz diferença
Com a virtualização, a presença física do advogado diminuiu em relação ao período antes da pandemia. Ainda assim, Ibrahim recomenda não abrir mão dela. "Isso já não é previdenciário, isso é neurociência", disse. Ele cita a sustentação oral, que já fez como procurador, como exemplo de que estar presente causa impacto no andamento do processo.
Além da técnica
Aos alunos de pós-graduação, ele costuma explicar que o conhecimento técnico leva o profissional só até certo ponto. Sem postura, oratória, comunicação e boa relação com as pessoas, o advogado fica em um patamar menor. Vestimenta e postura, diz, fazem parte de uma comunicação não falada, que mostra ao outro como o profissional se respeita.
Sobre redes sociais, Ibrahim prefere não opinar sobre estratégias, por não ser sua área. Mas deixa um limite claro: agir com ética, não prometer o que não pode entregar e não usar meias-verdades.
Do sonho ao plano
O conselho final vale para a advocacia e para o serviço público: "Transforme seus sonhos em planos projetados de ações". Em tempos de muita distração, diz ele, quem mantém o foco e constrói um pouco todos os dias colhe os resultados.
Ibrahim lembrou que muitos o veem hoje como procurador sem conhecer as inseguranças e as ousadias do caminho. Por isso, recomenda acreditar em si, planejar e executar, sem esperar pelo mundo ideal: ele vem a partir de pequenos passos.
Onde acompanhar: Ibrahim Djalma mantém um site com legislação selecionada de acesso gratuito, artigos e notícias em tempo real, além do Instagram @ibrahimdjalma, com notícias e aulas todos os dias.
A entrevista completa está no Instagram do Recorte Jurídico e no canal Recorte Jurídico Oficial, no YouTube. Toda semana tem episódio novo.
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