
O influenciador e piloto Lito Sousa, de 59 anos, recebeu uma substância experimental como tentativa de tratamento para a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma condição neurológica rara e de rápida progressão. Segundo a esposa dele, Mila Seidl, Lito permanece estável e não apresentou intercorrências relacionadas à aplicação.
Lito está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, devido a complicações provocadas pela própria doença. A substância utilizada no tratamento é a ALN-6457, desenvolvida pela farmacêutica Regeneron.
A ALN-6457 ainda não passou por estudos clínicos formais em seres humanos para a doença de Creutzfeldt-Jakob. Por isso, não há comprovação de que o composto seja capaz de interromper ou desacelerar a evolução da doença em pacientes.
A estratégia do tratamento é utilizar uma molécula de RNA de interferência para reduzir a produção da proteína priônica normal. Na DCJ, proteínas priônicas podem assumir uma forma anormal e se acumular no cérebro, provocando danos progressivos às células nervosas.
Estudos pré-clínicos realizados em células e animais deram suporte ao desenvolvimento da substância, mas os resultados não permitem antecipar como ela irá se comportar em seres humanos. A própria família de Lito ressaltou que ainda existem diversas perguntas sobre a resposta ao tratamento.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, em 4 de setembro, a importação e o uso excepcional da substância para Lito.
O acesso ocorreu por meio de um programa de uso compassivo, destinado a pacientes com doenças graves que não possuem alternativas terapêuticas eficazes disponíveis. O Hospital Israelita Albert Einstein participou do processo de solicitação e acompanhamento do tratamento.
A chegada da substância ao Brasil exigiu uma operação logística de emergência. Parte do composto veio dos Estados Unidos e outra parte da Suíça. Após chegar ao país, o material foi transportado rapidamente até o hospital devido às condições de estabilidade do produto.
De acordo com Mila Seidl, a equipe médica deverá acompanhar a evolução de Lito durante as próximas semanas. A expectativa é comparar exames e amostras para observar possíveis mudanças após a administração da substância.
No entanto, mesmo que sejam observadas alterações no quadro do paciente, um único caso não será suficiente para comprovar a eficácia do tratamento contra a doença.
A doença de Creutzfeldt-Jakob é rara, neurodegenerativa e apresenta evolução rápida. Atualmente, não existe tratamento aprovado capaz de interromper ou reverter a progressão da condição.
Fonte: G1 / Folha de S.Paulo / Veja.
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