
O ex-presidente do Sport Club Internacional, Vitorio Piffero, foi absolvido pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) em um processo envolvendo acusações de lavagem de dinheiro e desvio de recursos do clube. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (15) e reverteu uma condenação de 12 anos e três meses de prisão imposta ao ex-dirigente em 2024.
A esposa de Piffero também foi absolvida no mesmo processo. A decisão, entretanto, não encerra as pendências judiciais do ex-presidente, que permanece condenado em outros dois desdobramentos das investigações sobre irregularidades financeiras durante sua gestão à frente do Internacional, entre 2015 e 2016.
O julgamento está relacionado à Operação Rebote, deflagrada pelo Ministério Público em dezembro de 2018 para investigar suspeitas de irregularidades administrativas e financeiras no clube gaúcho.
Segundo as investigações, o suposto esquema teria provocado prejuízos superiores a R$ 13 milhões aos cofres do Internacional.
A decisão favorável a Piffero ocorreu no processo conhecido como núcleo das agências de viagens, um dos três desdobramentos judiciais da Operação Rebote.
As investigações apontavam suspeitas de utilização de contratos com empresas do setor turístico para desviar recursos e proporcionar vantagens pessoais a envolvidos na administração do clube.
Além do ex-presidente e de sua esposa, o processo envolveu o ex-vice-presidente de finanças do Internacional, Pedro Affatato, e três empresários ligados ao setor de turismo.
No julgamento realizado pelo Tribunal de Justiça, os desembargadores mantiveram as condenações de Affatato e dos três empresários, embora tenham reduzido suas penas.
Apesar da absolvição no caso envolvendo a agência de viagens, Vitorio Piffero ainda enfrenta condenações relacionadas a outras irregularidades investigadas durante sua administração.
No processo referente ao núcleo administrativo-financeiro, Piffero e Pedro Affatato foram condenados por estelionato e organização criminosa. Affatato também recebeu condenação por lavagem de dinheiro.
As penas estabelecidas foram de aproximadamente 10 anos de prisão para Piffero e 19 anos para Affatato.
Outro desdobramento, identificado como núcleo jurídico, também resultou na condenação do ex-vice-presidente jurídico do Internacional, Marcelo Castro.
Dessa forma, a decisão anunciada nesta semana representa a absolvição de Piffero em um processo específico, sem afastar as condenações existentes nos demais casos.
As suspeitas de irregularidades financeiras na administração de Vitorio Piffero começaram a ser examinadas em 2017, um ano depois do rebaixamento histórico do Internacional para a Série B do Campeonato Brasileiro.
Naquele período, o Conselho Fiscal do clube emitiu um parecer recomendando ao Conselho Deliberativo a reprovação das contas referentes à gestão anterior.
A recomendação foi acolhida pelos conselheiros, resultando em uma decisão inédita de reprovação das contas da administração do Internacional.
Em setembro de 2017, um relatório sobre as finanças do clube identificou uma inconsistência de aproximadamente R$ 9 milhões relacionada a contratos não realizados com cinco empresas do setor da construção civil.
Diante das suspeitas, o Internacional constituiu uma comissão especial para examinar despesas e movimentações financeiras realizadas durante a gestão de 2015 a 2016.
As investigações internas tiveram novos desdobramentos ao longo de 2018.
Mais de um ano após o início da apuração, o Conselho Deliberativo do Internacional aprovou a inelegibilidade de Vitorio Piffero e de outros três ex-dirigentes pelo período de dez anos.
Em dezembro daquele ano, o Ministério Público deflagrou a Operação Rebote, cumprindo mandados de busca e apreensão contra integrantes da antiga administração do clube.
A investigação buscava identificar possíveis desvios de recursos, irregularidades contratuais e responsabilidades de dirigentes e empresários envolvidos em operações financeiras realizadas durante o período investigado.
O caso foi posteriormente dividido em diferentes núcleos, permitindo a análise judicial das suspeitas relacionadas às áreas administrativa, financeira, jurídica e de contratação de serviços.
A absolvição de Vitorio Piffero no processo das agências de viagens representa um novo desdobramento de uma investigação iniciada em 2017 e que resultou em diferentes ações judiciais contra antigos integrantes da direção do Internacional.
Embora a condenação de 12 anos e três meses tenha sido revertida nesse caso específico, o ex-presidente continua sujeito aos efeitos das condenações determinadas nos demais processos.
As decisões judiciais integram o conjunto de apurações sobre a administração do clube durante os anos de 2015 e 2016, período que antecedeu o primeiro rebaixamento do Internacional à segunda divisão do futebol brasileiro.
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